Ralph Ellison Luís, Guardião do Jardim dos Buxos

Ralph Ellison Luís, Guardião do Jardim dos Buxos

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

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Bom Dia, Ema.-.


Trago comigo um conto escrito numa carta que encontrei num sótão, juntamente com a fotografia de uma menina sentada numa cadeira vermelha. Conta quem o escreveu que uma cadeira vermelha e pintada com malmequeres, muito pequenina, tinha vivido num jardim, onde uma menina se sentava e lia poemas às flores dos canteiros. A menina cresceu e a cadeira ficou escondida durante muito tempo nesse jardim, sem que ninguém se lembrasse mais dela. Veio a chuva, veio a neve, o calor seguiu-se e assim por muitos anos. Um dia, porém, passou por ali um gato amarelo, de pelo macio e olhos verdes que gostava de dormir nas tardes de sol e no meio das flores. Quando adormeceu ouviu uma vozinha dizer-lhe, com muito carinho:

- Amigo gato, vem dormir no meu colo, enrosca-te e faz-me companhia.O gato amarelo já nem sabia se estava a sonhar ou se estava acordado. Esfregou os olhos e olhou à volta. Uma flor chamada girassol disse-lhe:

- Ali, gato amarelo, ali no meio das rosas está uma cadeira que chama por ti.

Os gatos são muito curiosos e levantou-se para espreitar. Primeiro alisou os bigodes, depois muito devagarinho embrenhou-se no roseiral e viu uma cadeira quase sem cor e com os malmequeres todos murchos. Ficou a pensar, enquanto com a patinha lavava o focinho, porque é assim que os gatos pensam.

De repente, deu um salto e sentou-se na cadeira, dizendo:
- Meninas flores, agora sou eu que, doravante, me vou sentar nesta cadeira e ler poemas para vos fazer sorrir e dançar. Mas preciso da vossa ajuda, pois esta cadeira está a precisar de ser, novamente, bonita e colorida como era antigamente.

E todas as flores se reuniram à volta da cadeira, oferecendo, cada uma delas, uma pétala que o gato amarelo, com muita perícia, ia pintando no assento e nas costas da sua amiga cadeira. Depois, foi a vez das rosas, com as pétalas vermelhas pintou, pintou até que o fundo voltou a ter de novo a cor do sol.

E foi assim que no jardim, onde vivia esta cadeira, o sol veio todos os dias dançar de mãos dadas com as flores, enquanto o gato amarelo lia poemas sentado na cadeira vermelha de malmequeres. E também foi assim que os malmequeres se transformaram em bem-me-queres.

A história não acaba aqui, há quem diga que naquele jardim e durante a noite as estrelas venham embalar a cadeira, onde dorme o gato amarelo. E aos bem-me-queres deixa um pó fino chamado pólen e às rosas lhes deixe farrapinhos de veludo para as proteger do frio.Até a neve e a chuva se transformaram em flocos de algodão doce e ali, naquele lugar de sonhos e poesia, nunca mais ninguém ficou triste.

Se um dia vires um gato amarelo podes ter a certeza que ele sabe ler poesia como ninguém.

Beijinhos e ri-te muito, COMO ESTES AGAPANTOS:)))

Isabel