Ralph Ellison Luís, Guardião do Jardim dos Buxos

Ralph Ellison Luís, Guardião do Jardim dos Buxos

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

EMA

OLÁ, EMA.-.

Havia numa aldeia uma menina chamada Margarida. A menina tinha olhos azuis e cabelos loiros. Vivia numa casa, onde à volta tinha uma horta e um pomar. Um dia, a Margarida trepou a um damasqueiro e, sentada num dos ramos, comeu muitos damascos. À medida que ia comendo atirava os caroços para o chão. Entretanto, passou por ali um melro muito preto e muito esbelto. Cansado de tanto voar abrigou-se, do calor da tarde, debaixo da árvore, onde a Margarida se sentava.Estava ele a cochilar, entre as ervas que rodeavam o damasqueiro, quando acordou assarapantado e meio atordoado. Mas que teria caído no seu cocoruto para acordar assim de repente? Sim, não havia dúvida que tinha caído um caroço mesmo em cima da sua cabeça. Pensou ele que no céu devia haver uma grande festa, em que todos deviam estar a comer damascos, gelados, chocolates, brigadeiros, sonhos doces, manjar branco e pudim de tapioca. E logo agora, que sentia fome, vinha a calhar comer todos aqueles acepipes. " Ai, pensou ele, cresce-me água na boca!"Quando ia levantar voo, eis que leva com outro caroço no alto da cabeça. " Mas que falta de respeito, gritou o melro". A Margarida, que nem tinha dado conta da presença do melro, ouviu aquela voz indignada e olhou para baixo. Foi quando viu o pobrezinho do pássaro tão tonto que nem se aguentava nas pernas. Muito aflita desceu da árvore e ajudou o melro a sentar-se num banco do caramanchão. Nem ele sabia que no caramanchão vivia uma tulipa muito sozinha e triste.

Sentados no banco, a menina e o melro começaram a falar e ele disse-lhe chamar-se Abelardo. Depois contou-lhe a sua história. Tinha saído de casa dos pais muito novinho, era o filho do Rei da Abelardónia. Os pais do Abelardo queriam muito encontrar uma filha que já não viam há muito tempo. Como bom filho que era decidiu ir procurar a irmã. E eis senão quando, se sentiu um aroma que se espalhou pelo ar. Abelardo reconheceu de imediato o perfume da irmã.

-Margarida, perguntou ele à menina, por acaso já viste uma tulipa amarela passear pelo pomar?
A Margarida conhecia muito bem uma tulipa que usava sapatinhos de princesa e diadema. Não sabia é que era uma princesa a sério. Eram muito amigas e a Tulipa vivia muito triste porque já se esquecera do caminho de regresso a casa. O reino da Abelardónia ficava muito distante dali e a Margarida só conhecia a horta e o pomar.Muito contente a menina abraçou o melro e disse-lhe:

-Abelardo, meu príncipe, eu sou a melhor amiga da Tulipa. Que feliz ela vai ficar quando te vir.

E assim foi, a linda Tulipa chorava de felicidade abraçada ao seu irmão melro.Claro que esta história só termina no dia em que no Reino da Abelardónia, Abelardo se casar com a boa Margarida. Pois é, o melro gostou tanto da menina que, quando levou a sua irmã Tulipa de regresso ao palácio, ofereceu um lindo anel de noivado àquela que tinha sido tão amiga da princesa Tulipa.

Dali a um ano foram celebradas as bodas do melro Abelardo e da menina Margarida. E quem foi a madrinha de casamento? A princesa Tulipa!Nesse dia, o céu desceu à Terra e todo o povo do reino da Abelardónia comeu os melhores manjares, que só aos deuses era permitido, gelados de corintos, pudim de tapioca com canela e perfume de alecrim, brigadeiros embrulhados em finas sedas e com colares de pérolas, arroz-doce com aroma de figos, tremoços de cristal e tantas coisas boas que só de olhar todo o mundo parecia um lugar encantado.

E o perfume da Tulipa espalhou-se por toda a terra, entrou nas nuvens, caíu em forma de chuva e misturou-se com o odor da erva.Por isso as tulipas deixaram de ser perfumadas e encantam-nos apenas com a sua beleza e cor.

Ah, ia esquecendo, o melro e a menina foram tão felizes que quando se vê um melro de bico amarelo é o Abelardo beijando os olhos da sua linda e boa Margarida,


E beijito,

Isabel